Essa é a primeira das minhas histórias

Nasci mineira, e minha casa era no alto da montanha. Isso me torneou com olhos distantes, e um pé nas estrelas.

Desde cedo, almoçava contos que meu pai inventava. Gostava de criar mundos imaginários (ou talvez navegar por universos captados), usando personagens, paisagens e objetos encontrados como portais.

Depois de letrada, devorava livros. Guardava alguns deles como pequenos tesouros, junto com pedras, bússolas, mapas, lanternas e canivetes. Sempre tive uma mochila pronta para correr mundo, prontidão pra aventura.

Cresci e levei a sério o ofício. Mudei-me para São Paulo, e formei-me em comunicação social pela ESPM. Então entendi que meu caminho inevitável seria a arte. Fiz cinema na USP , e lá encontrei também o teatro. A união das duas artes me trouxe ferramentas narrativas importantes, e assim abri as portas da minha verdadeira vocação. 

Fui lapidando as palavras na forja da poesia, aprendi como falar com imagens e sons, aprendi os semitons do silêncio. Fiz filmes, escrevi peças. Especializei-me em direção teatral,  participei de uma Companhia de dramaturgos, viajei mundo.

E o mundo me trouxe os documentários. E entrevistar gente me deu vontade de transformar a realidade.

Integrei o Movimento Humanista, e ali aprendi que a consciência é matéria em constante expansão. Aprendi que a vida não se esgota no limite da nossa pele, da pequena mandala umbilical, e que somos uma constelação. Em tantas militâncias, tomei contato com histórias de muitas gentes.

Depois cruzei caminho com um companheiro querido. Unimos trajetórias, chamamos (e pari) três filhos, e essa experiência me transformou definitivamente: descobri o local sagrado de onde brotam os contos. Com os meninos, reencontro diariamente o encantamento. Com eles entendi, finalmente, que a imaginação é um lugar vivo.

Novamente, meu universo expandiu.

Aprofundei-me nos estudos sobre o ser humano, no funcionamento das imagens no nosso psiquismo. Mergulhei nos estudos xamânicos, no profundo feminino, em mitologias, na força secreta das histórias internas. E aí me encontro, eterna aprendiz e (re) criadora do que experimento.

O que vivo e crio, desde 2008 coloco nesse blog

 Mas ainda há muito a dizer e experimentar.

Essa é só uma das minhas histórias. A da personagem que aprendi ser, de nome Claudia Pucci Abrahão

Outras já nasceram em mim. E há muitas novas por vir.