A Rainha das Pérolas

Tudo começou com apenas uma pérola que ela havia encontrado na beira do mar. Era de uma beleza rara, pura e muito brilhante. Naquela época, ela era apenas uma menina que brincava nos altos das montanhas, conversando com as estrelas. Então surpreendeu-se ao ver o presente que o mar lhe trouxera. Brincou com a pérola, encantada com seu brilho. Guardou-a numa pequena caixinha que havia ganhado da avó, e sentia-se agraciada pelo lindo presente trazido pelas ondas. Tanto que, no ano seguinte, ficou feliz em saber que voltariam à mesma praia. A época era a mesma. O sol brilhava muito parecido. Mas o mar havia mudado. As ondas traziam apenas conchas vazias. Lindas conchas, algumas pintadinhas de madrepérolas. Mas nada de grandes surpresas. A menina esperou muitos dias. Durante toda a temporada na praia, esperava que as ondas lhe trouxessem, novamente, um tesouro. Mas nada lhe aparecia. Até que, no último dia de suas férias ali, ela fez um pedido ao mar: se ele lhe enviasse outra pérola, ela lhe devotaria sua vida. Terminado o pedido, a menina chorou. E qual foi sua surpresa ao ver que, ao tocar aquela lágrima, sentiu que era uma pérola o que seus dedos acariciavam. Ela ficou radiante com aquele novo presente, e uma nova lágrima desceu, e era também uma pérola perfeita. Porém, ao tentar colher as esferas do seu rosto, a menina percebeu que elas estavam coladas à sua pele. Desesperada, entrou no mar, para ver se a água poderia soltá-las, e ao mergulhar o rosto nas ondas, ela foi atraída, como se uma grande força a puxasse, para as profundezas...

para Thaís

Te adubo para que germine Te abraço para te nutrir Te envolvo sem te tocar Sua pessoa brota longe, E ainda assim me sinto feliz em pensar Que te brotam raízes que flutuam Como orquídeas que não sugam Nem têm medo de pousar. Entrelaçadas somos Somadas lincamos mundos Fora do espaço-tempo Dentro de cada uma. por Claudia Jacoponi, workshop...

ali

De cabeça vaziaMas de cuca legalEnquanto ela sorriaSe entregava ao ritualCercada de pedrasDispostas em espiralPude ouvir suas precesSeu pedido finalE num belo desenhoFiz um registro mentalUm sincero agradecimentoResumido num sinal    por Fábio Mesquida, workshop...

inverno

Nada. Não estou sentindo nada. Nenhum papila gustativa para experimentar, nenhum batimento cardíaco para inspirar. Como expressar um sentimento que não pode reverberar. Era silêncio real ou medo de se conectar? Podia dedilhar e cantar juntos com os pássaros que não param de assobiar, que invadem o silêncio sem pedia licença. Podia inventar e reinventar a história da menina que acaba de gritar do outro lado do muro. Podia desenhar as plantas, expressar minha paz ou apenas silenciar. Não me faltava conteúdo pra rechear esse caderno de histórias, me faltava sorrir ou chorar, sentir percorrer na pele qualquer sentimento que seja. Estava vazio, com frio, com o desejo que acabasse cedo. Que qualquer sentimento, por mais inconveniente que fosse, pudesse agarrar na minha pele e fazer eriçar o mais inativo dos pelos. Podia ser ódio ou até mesmo medo. Queria mesmo é insumo pra escrever esse enredo.   por Fábio Mesquida, workshop...