inverno

Nada. Não estou sentindo nada. Nenhum papila gustativa para experimentar, nenhum batimento cardíaco para inspirar. Como expressar um sentimento que não pode reverberar. Era silêncio real ou medo de se conectar? Podia dedilhar e cantar juntos com os pássaros que não param de assobiar, que invadem o silêncio sem pedia licença. Podia inventar e reinventar a história da menina que acaba de gritar do outro lado do muro. Podia desenhar as plantas, expressar minha paz ou apenas silenciar. Não me faltava conteúdo pra rechear esse caderno de histórias, me faltava sorrir ou chorar, sentir percorrer na pele qualquer sentimento que seja. Estava vazio, com frio, com o desejo que acabasse cedo. Que qualquer sentimento, por mais inconveniente que fosse, pudesse agarrar na minha pele e fazer eriçar o mais inativo dos pelos. Podia ser ódio ou até mesmo medo. Queria mesmo é insumo pra escrever esse enredo.   por Fábio Mesquida, workshop...

Epifania

Por que a vida sem cores? Está frio. Não quero ir lá pra dentro e me fechar. Quero me cobrir, mas sem me fechar. Dá pra me esconder sem fugir? Dá para me acolher sem cessar? Dá para entender sem julgar? A coberta me faz bem. Tem mesmo algo para enfrentar? O que eu teria medo de fazer agora? Olhar sem sorrir? Ficar estática? Mentir? Chega. POR QUE NÃO SE SUJAR? Coloquei a mão na terra com um desconforto! 5 minutos depois a terra assentou, as mãos estavam limpas. Por que não se despir? Se ao se cobrir o medo era maior que despida? Por que não levantar a cabeça quando o que você mais quer é abaixá-la? Por que não olhar? Com o olhar que você pode oferecer no momento. Por que você quer se lavar? Por que incomoda? Você deita na sujeira achando que vai piorar, e olhando pra cima percebe o pé de carambola. Enterrado neste mesmo chão onde você se enterrou. Por que não se riscar, ou se arriscar? Por que não? Como você pode? Se coloque e não agrida. Se permita desconforto. É o que você vai sentir quando sair daqui. E isso não é libertação? O “des” vira “com”. Quem diria? Por Giovanna Caboclo, Workshop...

A colher da vida, o colher da vida

Menina mulher, lá está a colher Enterrada no caldo entornado, lá está a colher Esperando ser colhida, esperando ser acolhida De onde veio a colher? Teria eu mesma a colocado nesse lugar, executando movimentos contínuos e circulares sem eu notar? O que mexe a colher? Em que mexe a colher? Te satisfaz o mesmo alimento? O caldeirão já de ponta cabeça, parece ter mudado a perspectiva de tudo.   Por Fernanda Saba Machado, workshop...